Saturday, June 09, 2007

Rain Falling From The Skies.

Lá fora a chuva lava a cidade, levando embora todo o stress, a maldade e a decepção. Particularmente acho fantástica a magia que envolve um fenômeno comum que, no entanto, não acontece em todo lugar, como a chuva. É como se os pingos, as gotas d’água que caem em sintonia – compondo quase que uma sinfonia - fossem pequenos imãs que atraem para seus pólos tudo aquilo que incomoda, levando-os para bem longe daqui.
Resolvi arriscar e abrir a janela (quer coisa melhor que o cheiro de chuva?). Apesar do frio, que na verdade não estava tão intenso, deixar os pingos um por um caírem na minha mão e sentir o aroma quase que afrodisíaco da água relativamente pura, entrando em contato com o asfalto, o concreto e todos esses outros materiais foi uma das experiências mais renovadoras que tive nos últimos tempos. Se fosse verão e o asfalto das ruas estivesse quente, seria sublime, mesmo.
Recentemente descobri o potencial do jazz (o estilo musical) de inspirar. Assim como a chuva que cria um contraste gritante com as construções e todas as outras invenções do homem das quais não podemos viver sem - mas até que gostaríamos, por motivos ambientais atuais - o jazz mistura a emoção como sentimento e a emoção como ação através de um link bem planejado entre o pensar/sentir e o agir. Se juntarmos a chuva e o jazz, seremos capazes de quase atingir o nirvana.
Essa combinação explosiva nos transporta para um local melhor, dentro de nossas mentes, ela permite que entremos em contato com partes da nossa alma e do nosso coração que normalmente não conseguiríamos. Posso estar sendo ousada, mas a partir das experiências que tive nestes míseros vinte anos de existência, arrisco-me a dizer que nenhuma experiência chega aos pés desta. Por isso busquem usufruir desta o quanto antes, apenas inspirem-se colocando uma boa música e abrindo a janela, o resto pode deixar que a chuva faz.

Tuesday, May 15, 2007

acreditar é alcançar?

“Quem acredita alcança”, eis uma frase/expressão/clichê/ditado ou seja lá como você queira chamar que sempre me intrigou. Se é tão “famoso”, tão corriqueiro, deve ter um fundo de verdade, e é aí que um nó é feito na minha cabeça. Será que realmente quem acreditar em algo consegue atingir seu objetivo? Será que o popular “Sou brasileiro e não desisto nunca” é verídico?Se for então todos os políticos que dizem querer acabar com a miséria no Brasil, realmente não querem.
Ok, talvez os políticos não sejam um bom exemplo devido ao caráter duvidoso dessa “raça”. Mas vejamos então o Rubinho Barrichelo: ele sempre tenta, quase chega lá, mas o primeiro lugar nunca é conquistado. Será que então ele realmente não quer ser o primeiro? Talvez prefira ser o segundo, terceiro, quarto e etc. Resumindo, Rubinho Barrichelo contenta-se com pouco e somente com pouco. Surge então uma pergunta que não quer calar (pelo menos na minha cabeça): Rubinho Barrichelo é brasileiro? Se for, então ele realmente não busca “the ultimate victory”.
E de exemplos como esse temos muitos. Mas há aqueles casos de sucesso de pessoas que acreditaram e conseguiram, mas será que conseguiram somente por acreditar? A terceira lei de Newton é bem clara: para toda ação, há uma reação. Se um corpo X está exercendo uma força sobre um corpo Z, então o corpo Z também está exercendo força sobre o corpo X de mesmo módulo e direção, mas sentido contrário. Exemplificando melhor, se eu faço algo que não necessariamente seja direcionado a alguém, mas que afete esta pessoa, há chances dela fazer algo similar com outro propósito.
E a verdade é que nada do que fazemos saímos ilesos. Pode ser que um ato bom seja precedido por outro ato bom que irá te favorecer, pode ser que não. Cada vitória é um conjunto de acontecimentos, e nenhum tem a ver com sorte, porque sorte, queridos, não existe. Existe bom desempenho, bom planejamento, boas probabilidades de algo dar certo devido a um mix de fatores, e só. Concluo então que apenas acreditar não quer dizer que irás alcançar, pois não importa quantos obstáculos aparecerem à frente, nem quantos conseguirem superar, não é suficiente. É necessário que o mundo e as pessoas nele conspirem a teu favor, não se consegue nada sozinho, o apoio e a ajuda dos outros é vital. Precisamos acreditar em conjunto, planejar em conjunto e executar em conjunto.

Friday, May 11, 2007

F.EE.L.

Apaixonem-se. Não necessariamente por alguém do sexo oposto,ou do mesmo sexo. Deixem-se apaixonar por qualquer coisa, sintam a paixão correndo por todas as veias do seus corpos, caminhem entre as nuvens, flutuem.
Observem o caminho que vocês fazem diariamente para ir para a faculdade/colégio/trabalho, vejam como entre carros, concreto e prédios existem coisas bonitas como uma única flor num canteiro desmatado, um passarinho numa árvore, uma borboleta voando.
Procurem por borboletas coloridas. Ah! Procurem as brancas também.
Deixem o sol penetrar a epiderme de vocês, iluminem-se. Iluminem os pensamentos, os rostos lindos de cada um, deixem que a vida de vocês seja iluminada. Sintam-se iluminados dos pés à cabeça.
Saibam aproveitar um dia de sol e céu limpo com a esperteza de um sábio.
Uma vez ao ano pelo menos, saiam para caminhar na chuva. Aproveitem e chorem, coloquem tudo para fora, desabafem com o mundo, ele com certeza abraçará vocês. Apreciem os dias cinza com os olhos de um poeta bucólico. Escrevam, desenhem, pintem, gritem.
Por sinal, gritar é uma das melhores formas de liberar o stress, momentaneamente, óbvio.
Procurem pelas estrelas no céu azul-marinho-preto. Façam um pedido. Dois. Três. Vejam o nascer e o pôr do sol. Observem as cores do crepúsculo. Procurem um arco-íris, quando o acharem, procurem o gnomo com um pote de ouro. Cavalguem em um unicórnio. Nadem com as sereias. Comuniquem-se com os extraterrestres. Descubram a localização do chupa-cabra.
Escutem Floyd, Clapton e Dylan. Vão a uma praça com os amigos, levem um violão e cantem Bob. Transem ao som de Lovage. Dancem com Gloria Gaynor, Diana Ross e Donna Summer. Tomem banho cantando Rita Lee. Dancem na chuva ouvindo “Rain drops keep falling in my head”.
AMEM. ODEIEM. Não se contentem com pouco. Sejam 8 ou 80. Corram, dêem risadas espalhafatosas. Beijem com carinho, beijem com raiva, beijem com prazer. Permitam que as pessoas cheguem perto. Cuidem com os amigos não tão amigos assim. Valorizem aqueles que merecem. Agradeçam por estarem vivos.
Dêem bom dia ao sol, às arvores, ao céu. Olhem-se no espelho e descubram o quão lindos vocês são. Preservem suas personalidades, cultivem suas crenças.
Leiam histórias em quadrinhos. Revejam Pulp Fiction. Gastem o DVD do Laranja Mecânica. Divirtam-se com Woody Allen. Viajem com George Lucas. Aventurem-se com Indiana Jones e Steven Spielberg. Sintam a dor das virgens suicidas ao lado de Sophia Coppola.
Bebam água com gás, muita água com gás.

Sunday, April 15, 2007

Carta para Ilustres Pessoas, Volume 3.

Querida Anastasia do futuro,

Antes de tudo gostaria de pedir desculpas.
Sei que errei nas minhas ações, nos sentimentos, nos julgamentos.
Não fui capaz de distinguir as pessoas, em primeira estância todas pareciam fantásticas e era difícil pensar que talvez fossem umas filhas da puta. Só descobri depois que as dei intimidade suficiente para pisarem em mim o quanto quisessem, e cara, isso doeu!
Dediquei-me demais aos meus amigos, muitas vezes abdicando minha, aliás, nossa própria vida. Pus-me a disposição 24 horas por dia, atravessei a cidade, carreguei as pessoas nas costas por muito tempo. Infelizmente poucos foram aqueles que retribuíram a altura, e acredite, dói demais quando a gente precisa de alguém e ninguém está disponível.
Usei a expressão “Eu te amo” inúmeras vezes, acreditando que realmente amava. Só hoje vejo que não foi tanto assim. Envolvi-me com as pessoas erradas, achei ter me apaixonado e no final das contas, descobri ser apenas dependência. Perdi meu chão e não fiz esforço para construí-lo de volta por muito tempo. Deixei a depressão tomar conta de mim. Confiei nas pessoas erradas, duvidei das certas.
Perdi amigas importantes sem nenhuma explicação, menti ao dizer que não me importava. Chorei de saudades quando estava sozinha, tentei entender o acontecido, mas em nenhum momento expressei meus sentimentos verdadeiros sobre isso para qualquer pessoa.
Muitas vezes tentei conquistar as pessoas com a minha tristeza, minhas tragédias. Não fui honesta comigo mesma, e quando resolvi mudar, radicalizei. Hoje evito tanto falar que estou triste que acabo sofrendo sozinha. Não quero mais ser a vitima, a coitadinha. Quero ser forte, ou pelo menos parecer ser.
Durante esses longos vinte anos colecionei cicatrizes. Não aquelas superficiais geralmente decorrentes de acidentes, mas aquelas internas, eternas. Aposto um engradado de cerveja que estas continuam tão vivas em ti como nesse momento estão em mim.
Eu errei, e repeti os mesmos erros. Falhei na única tarefa que não poderia ter falhado: estabelecer uma base emocional forte para o futuro. Mas sei que nada disso foi intencional, apesar de parecer, afinal, ninguém comete tantos erros assim. É que de repente me via numa encruzilhada, sem saber para que lado ir, sentindo uma pressão filha da puta para escolher o caminho certo. Essa maldita pressão afetou tanto o meu discernimento, que acabei errando todas as vezes que tentei acertar.
Gostaria que não guardasses remorso sobre isso, já que errei tanto no passado, não gostaria de continuar errando no futuro.

Sinceramente,
Anastasia do passado.