Era noite de ano novo e Kitty, apelido de Maria Quitéria, não estava feliz. Não entendia o porquê de toda essa excitação pela virada de ano - para ela a troca do dia 31 de dezembro para 01 de janeiro não era diferente de qualquer outra mudança de mês – e realmente detestava ter que colocar roupa e calcinha nova além de um sorriso no rosto e fazer festa com seus pais, comendo lentilha e pulando as sete ondas na praia.
Num ímpeto de se libertar, Kitty pegou seu buggie amarelo – queimado e dirigiu rumo à parte deserta da praia, onde só havia pedras à beira do mar. Escalou – as e sentou – se na mais alta, contemplando o céu estrelado que no momento encontrava – se com a água, que sumia na escuridão. Por algum motivo, desconhecido até para os cientistas mais experientes da Nasa, a lua tinha sumido como num eclipse que já durava horas, tornando a noite mais escura do que nunca, exatamente como Kitty gostava.
Após um tempo ali, no silêncio total, olhou em seu relógio Swatch e viu que faltava um minuto para a meia noite. O tique taque do relógio ecoava na praia, praticamente obrigando Kitty a cronometrar os segundos até a tão esperada hora, que teoricamente, era capaz de mudar o mundo. Faltando cinco segundos para a meia noite ela fechou os olhos. Morria de medo de fogos de artifício, e assim, fez a contagem regressiva, para não ser pega de surpresa com o barulho.
O relógio completou seu círculo anunciando que a hora zero chegava, o céu iluminou – se com todas as cores do arco – Iris, e Kitty, ainda com os olhos fechados, sentiu lábios tocando os seus. No susto ela foi pra trás, escorregando e quase caindo de cabeça nas pedras, se não fosse por aquele braço que rapidamente a segurou e puxou – a para perto de seu corpo. Agora Kitty abria os olhos e deparava – se com um guri, um pouco mais velho que ela, de olhos azuis cristalinos, pele bronzeada e o sorriso mais branco que já vira.
- Desculpa. Mas dizem que devemos beijar alguém a meia noite de Reveillon. Eu não acredito em superstições, nem nessa data, mas resolvi pelo menos uma vez na vida tentar acreditar.
- Tudo bem. Eu também não acredito em superstições ou na data de hoje. Mas obrigada pelo beijo, foi revigorante.
O guri não identificado sorriu e sentou – se na pedra, tirou de um bolso uma carteira de cigarro, e do outro, uma garrafinha de whisky. Ofereceu a Kitty que prontamente sentou – se e aceitou a oferta. Os dois ficaram ali, fumando e conversando, até que a atração entre eles era muito forte para agüentar e eles cederam à tentação, beijando – se com vontade, como se o mundo tivesse parado de girar.
Entre beijos, conversas e cigarros Kitty perdeu a hora. Quando deu por si, estava deitada em uma pedra enquanto o sol despontava no horizonte. Olhou para os lados e nada do menino misterioso de quem nunca perguntou o nome. Resolveu ir para casa já que sabia que seus pais deveriam estar enlouquecidos à sua procura.
Durante o trajeto para casa, reviveu em sua mente todos os acontecimentos daquela noite: os beijos, as longas conversas, a sensação de segurança e felicidade. Kitty estava em estado de êxtase, mas isso logo mudou ao estacionar seu buggie na frente de casa e ver duas viaturas da polícia. Entrou em casa correndo para encontrar sua mãe aos prantos, seu pai furioso e, vários policiais a encarando.
Passada a confusão ela dirigiu – se ao quarto, onde deitada na cama voltou a seu prévio estado de êxtase. Encarava o teto pensando quem era o guri misterioso e onde estaria naquele momento. Os dias se passaram, e nenhuma notícia. Kitty não sabia onde nem como procurar. E foi numa conversa informal com o padre de sua igreja que entendeu o que acontecera na noite de ano novo: uma renovação da esperança há muito tempo perdida pela menina.
Até hoje ela não sabe se o que aconteceu foi em decorrência do Reveillon, ou se foi pura coincidência, mas Kitty agora vê o mundo, e suas tradições, com outros olhos. Olhos esperançosos, felizes, e sempre procurando por aquele alguém que um dia a fará se sentir nas nuvens de novo.
Friday, December 19, 2008
amor, ditados e clichês.
Aquela velha frase, conhecida por muitos e citada, em suas variações, por todos, “namorados vêm e vão, amigos permanecem” está sujeita a muitas interpretações, mesmo que as pessoas, em sua grande maioria, não enxergam isso. Claro que não existe uma interpretação correta que anule todas as outras, tudo depende do interpretador e do que ele pretende interpretar.
Veja bem, sempre acreditei que essa frase implicava que deveríamos sempre dar prioridade aos amigos, e não aos namorados, porque estes últimos podem nos deixar, enquanto os amigos permanecerão eternamente com a gente. Os amigos verdadeiros, claro. Mas essa interpretação, mesmo que seja a mais comum, hoje me parece um tanto radical. Digamos que eu vá seguir esta linha de pensamento, e eu tenha um namorado que não agrada meus amigos, e estes me aconselham a largá – lo, eu devo simplesmente acabar com a relação pela incerteza do tempo de permanência da pessoa em minha vida, e opinião dos meus amigos? Acho que esta atitude, além de precipitada, é o melhor exemplo do caminho aparentemente mais seguro que possamos seguir: o de se esconder atrás de desculpas com a finalidade de evitar uma possível desilusão.
Por muito tempo acreditei nesta interpretação acima, mas recentemente, passei a enxergar o infame ditado com outros olhos, mais seguros de si e corajosos. Odeio a expressão amigos verdadeiros, já utilizada acima, mas infelizmente no mundo em que vivemos hoje, somente a palavra amigo, não traz o mesmo sentido, enfim, amigos verdadeiros possuem contratos, redigidos pelo nosso sub – inconsciente, e firmado pelo mesmo. Nestes contratos, a mesma expressão utilizada em cerimônias matrimoniais “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe”, está naquelas pequenas cláusulas, de corpo 5, das quais os mais afobados esquecem de ler, e os mais cuidadosos lêem minuciosamente. Ou seja, amigos estão ai para todas as ocasiões, inclusive as que possuem nuvens pretas pairando suas cabeças, o que me leva a interpretação a qual acredito agora, que se eu estiver em um relacionamento com uma pessoa da qual meus amigos não aprovam por acharem que irei me magoar, não devo terminá – La, se essa não for a minha vontade. É ai que se encontra o sentido de tudo, uma vez que partimos da premissa de que os amigos estarão contigo sempre, e que devemos arriscar, e perder, e se magoar, para então crescer.
Não é certo nos escondermos atrás das opiniões dos outros para não enxergarmos o possível medo que temos do desconhecido, assim como não é certo alguém utilizar – se do posto de amigo para, de certo modo, talvez não intencional, de manipular o outro. Se forem amigos mesmo, daqueles que poderíamos um dia chamar de família, darão suas opiniões e então calados ficarão, até o momento em que precisarem manifestar alegria pela felicidade ou simpatia pela dor alheia. Não é segredo algum que da prática se obtém experiência, e que amor incondicional e verídico suporta tempestades, tornados e terremotos.
Veja bem, sempre acreditei que essa frase implicava que deveríamos sempre dar prioridade aos amigos, e não aos namorados, porque estes últimos podem nos deixar, enquanto os amigos permanecerão eternamente com a gente. Os amigos verdadeiros, claro. Mas essa interpretação, mesmo que seja a mais comum, hoje me parece um tanto radical. Digamos que eu vá seguir esta linha de pensamento, e eu tenha um namorado que não agrada meus amigos, e estes me aconselham a largá – lo, eu devo simplesmente acabar com a relação pela incerteza do tempo de permanência da pessoa em minha vida, e opinião dos meus amigos? Acho que esta atitude, além de precipitada, é o melhor exemplo do caminho aparentemente mais seguro que possamos seguir: o de se esconder atrás de desculpas com a finalidade de evitar uma possível desilusão.
Por muito tempo acreditei nesta interpretação acima, mas recentemente, passei a enxergar o infame ditado com outros olhos, mais seguros de si e corajosos. Odeio a expressão amigos verdadeiros, já utilizada acima, mas infelizmente no mundo em que vivemos hoje, somente a palavra amigo, não traz o mesmo sentido, enfim, amigos verdadeiros possuem contratos, redigidos pelo nosso sub – inconsciente, e firmado pelo mesmo. Nestes contratos, a mesma expressão utilizada em cerimônias matrimoniais “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe”, está naquelas pequenas cláusulas, de corpo 5, das quais os mais afobados esquecem de ler, e os mais cuidadosos lêem minuciosamente. Ou seja, amigos estão ai para todas as ocasiões, inclusive as que possuem nuvens pretas pairando suas cabeças, o que me leva a interpretação a qual acredito agora, que se eu estiver em um relacionamento com uma pessoa da qual meus amigos não aprovam por acharem que irei me magoar, não devo terminá – La, se essa não for a minha vontade. É ai que se encontra o sentido de tudo, uma vez que partimos da premissa de que os amigos estarão contigo sempre, e que devemos arriscar, e perder, e se magoar, para então crescer.
Não é certo nos escondermos atrás das opiniões dos outros para não enxergarmos o possível medo que temos do desconhecido, assim como não é certo alguém utilizar – se do posto de amigo para, de certo modo, talvez não intencional, de manipular o outro. Se forem amigos mesmo, daqueles que poderíamos um dia chamar de família, darão suas opiniões e então calados ficarão, até o momento em que precisarem manifestar alegria pela felicidade ou simpatia pela dor alheia. Não é segredo algum que da prática se obtém experiência, e que amor incondicional e verídico suporta tempestades, tornados e terremotos.
Saturday, December 06, 2008
Amizades oportunistas são corriqueiras e devastadoras quando uma parte não conhece a verdade. Aposto que em algum lugar do mundo, diariamente, no mínimo uma pessoa descobre que a amizade tão verdadeira que achava ter, mostrou – se ser fruto do oportunismo de outra pessoa.
E descobrir isso, magoa.
E uma partezinha de ti simplesmente morre.
E descobrir isso, magoa.
E uma partezinha de ti simplesmente morre.
Saturday, November 29, 2008
O ditado “quem avisa, amigo é” devia ser “quem avisa, fudido está”.
É impressionante a nossa capacidade, quando apaixonadas, de ficar cegas a ponto de não enxergar a verdade, que está vestida de rosa Pink e verde limão neon, berrando tão alto quanto um vendedor de pamonha. O amor é cego, dizem as pessoas. O amor é cego, surdo, burro e estúpido.
É impressionante a nossa capacidade, quando apaixonadas, de ficar cegas a ponto de não enxergar a verdade, que está vestida de rosa Pink e verde limão neon, berrando tão alto quanto um vendedor de pamonha. O amor é cego, dizem as pessoas. O amor é cego, surdo, burro e estúpido.
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