Saturday, December 09, 2006

Carta para Ilustres pessoas, volume 1.

Caro Deus,


Venho por intermédio desta carta lhe fazer perguntas das quais ninguém soube me responder. Acredito que talvez esteja sendo inconveniente, entretanto, fui criada por uma família católica apostólica romana, desde pequena escuto o quão poderoso és, e levando em conta que és o criador do mundo em que vivo, és minha última esperança.

Veja bem senhor Deus, supostamente criastes o mundo certo? Logo, a natureza é criação sua também, o que me leva a pensar: pode alguém tão bom criar vulcões, terremotos e furacões? Estes, que por onde passam, causam somente desolação para qualquer criatura do reino animal, seja racional ou não. Se és tão bom como dizem, porque criar algo tão devastador?

Criastes os humanos. Começastes em pequena quantidade, somente dois,Adão e Eva, sendo esta oriunda da costela de Adão. Começastes mal, meu Deus querido, muito mal. Esta atitude causou o que no futuro veio a ser conhecido como Machismo. Imagino que já tenhas constatado isso. Ah vossa majestade! Admita que quando havia briga entre os dois, Adão, em seu estilo machão jogava na cara de Eva que esta havia surgido de sua costela, e que eternamente agradecida à ele deveria ser. Aposto uma carteira de cigarros como estou certa.

E se o sexo é estritamente para procriação, porque fazer com que seus súditos tenham instinto animal? Daqueles que sentem tesão do fio de cabelo à unha do pé, que se excitam ao ver uma revista pornográfica. Se rejeitas tanto os prazeres carnais, porque fazer todos serem suscetíveis à luxúria? É um jogo por acaso? Quem viver sob minhas regras resistindo à tentações, ganha meu amor incondicional?

Uma vez me falaram que o tão famoso "diabo" costumava ser um de seus anjos. Lúcifer é o nome dele não é? Criastes também os anjos? Se criastes,porque fazê-los com capacidade de invejá-lo? Estavas entediado e achou que seria divertido ter um oponente? Quem criou o senhor? Se o que dizes é verdade, e és o pai de todos, gostaria de saber se tenho um avô. "Deus Sênior" poderia ser o nome dele não?

Ok, a ganância, a violência e seus derivados são influenciadas por Lúcifer, isso eu até entendo. Entendo que também não podes simplesmente bani-lo e destruir o inferno pois este é tão poderoso quanto o senhor. Mas preciso lembrá-lo que antes de ser o criador de todo o mal, o "chifrudinho" era seu amigo? Ou seja, tendo criado ele ou não, a culpa é do senhor. Não é certo culpar o pobrezinho só porque ele tem interesses. Não dizes que amas a todos? Inclusive os pecadores? Então para quê criar este rótulo? Para que os dez mandamentos? Não seria mais fácil deixar cada um ser do jeito que deseja? Sem seguir regras antiquadas, como por exemplo cobiçar a mulher do próximo. Escolha péssima de palavras por sinal.

Segundo o dicionário,cobiçar significa desejar com veêmencia, ambicionar. Criastes o ser-humano com instintos animais, sexuais, e depois pede que não sintam desejo? Os criastes com capacidade e inteligência suficiente para evoluir e criar um mundo onde é melhor cobiçar a mulher do próximo do que não fazer nada, pois no outro dia alguém pode cobiçar a sua, e aí, é o famoso pega pra capar.

Porque delegastes que Caim oferecesse um animal para sacrifício? E quando não o fez, o repreendeu dizendo que havia lhe faltado com suas obrigações? E que o sacrifício só era válido com derramamento de sangue, pois só assim podia perdoar os pecados? Causastes a inveja. Caim passou a invejar Abel por ter lhe obedecido e oferecido um animal, e assim num ímpeto de raiva,Caim matou Abel. Vês que o primeiro assassinato é obra sua?

Eu poderia fazer perguntas, senhor meu Deus, de quase todas as passagens da bíblia, mas não o farei. Tenho apenas mais uma pergunta. Se és capaz de fazer milagres, e espalhar o bem pelo mundo, porque não podes evitar que pessoas boas morram cedo? Quando me tirasses a minha avó, fiquei desolada. Não entendia como que poderias ter feito algo tão horrendo a uma pessoa que nao fez mais do que seguir suas regras, mandamentos e chamados, alguém que sempre que lhe foi possivel fazer o bem, o fez. Alguém que era tão essencial na vida de muita gente. Minha mãe, outra seguidora do senhor me disse que todos vêm para a Terra com um propósito, e quando o terminam, partem para a vida eterna. Desculpa o palavreado, mas puta que pariu! Mais um joguinho do senhor? Manda as pobres criaturas para este mundo absurdo, estas cumprem suas obrigações e depois vão embora? Qual o propósito disto tudo? Que egoísmo, meu Deus querido, que egoísmo!

Nunca lhe passou pela cabeça que talvez estas pessoas sejam essenciais para outras? Porque causas sofrimento? Porque? Porque?


Admito que fico meio abalada de pensar em tudo isto. Não gostaria de estar na posição de contestar o senhor, contestar sua existência. Mas se realmente existes, és o causador da minha fúria.

Desde já agradeço a atenção.

Sinceramente, Laura.

Sunday, October 15, 2006

FAST NOISE.

Não existe barulho mais inconveniente do que o que fazem quando não o querem fazer.
Por exemplo quando tu estás dormindo, e para não te acordar, alguém anda com calma, passo a passo, sem se dar conta que na busca por delicadeza acaba fazendo tudo grosseiramente.
Talvez eu tenha o sono leve, vocês devem estar pensando, pois bem, pensaram errado. Uma vez que passam as primeira duas horas de sono (tempo aproximado que uma pessoa leva para entrar em sono profundo), nada, ou melhor quase nada me acorda. Prova disso são as faltas que tenho na única cadeira da faculdade que começa as 7 e meia da manhã, nem despertador,nem celular tocando, nada me acorda, a não ser quando a minha irmã entra, achando que com delicadeza no quarto, e a minha mãe, se achando mais delicada ainda, fala em sussurros com meu pai. Minha psicóloga uma vez disse que uma pessoa que é totalmente atenta à tudo ao seu redor, não desliga nem ao dormir.
Ínumeras explicações científicas podem existir, mas nenhuma que negue o fato de que o barulho é inconveniente. Eu sou uma pessoa que preza o silêncio sabem? Não há nada mais essencial para mim, do que o silêncio, até a música e o cinema ficam em segundo plano.

O barulho de uma furadeira?
O zunido de uma broca?
O som irritante que o liquidifador faz quando ligado?

Nada se compara a isso.
Nada me tira tão do sério como a minha irmã ao acordar pela manhã, ou minha mãe quando quer o meu secador emprestado e abre a porta do quarto e do armário devagarinho, para não me acordar.

A cada dia acredito estar mais velha, daquelas que reclamam de tudo sabem?

Mas eu não me importo com isso.

Sei que existe o barulho bom, como o de amigos sentados numa mesa dum bar conversando,o das crianças correndo em almoços de família aos domingos, o de uma boa música tocando tão alto que a caixa de som está prester a estourar.
Mas não apaga o barulho ruim, que além de ser inconveniente é totalmente desnecessário.
Já que vai fazer barulho, então que aja normalmente e não em passos e movimentos de tartaruga.

É que nem band-aid, não se tira aos poucos se não dói, tem que arrancar de uma vez só, rápido e indolor.

Thursday, October 05, 2006

Um dia qualquer.

Um dia alguém entenderá que as vezes eu só preciso de um abraço de urso, e um tudo vai ficar bem.
Um dia eu vou olhar para trás e lembrar dos inúmeros momentos bons que eu tive.
Um dia eu vou acreditar na minha capacidade.
Um dia, vou ter auto-estima.

Eventualmente eu sei que me sentirei segura em relação ao passado, presente e futuro.

Um dia, vou ser egocêntrica e pensar só em mim.
Um dia terei orgulho dos meus feitos.
Pararei de me menosprezar.
Acreditarei que existe sim amor sincero e eterno.
Um dia não falarei que estou triste, pelo simples fato de estar acostumada à dramas.

Futuramente, me sentirei completa.

Um dia, a márcara e a armadura vão cair.
Um dia irei conseguir falar sobre o que me atormenta, bem lá dentro.
Um dia eu acordarei com a sensação de ter conquistado o mundo.
E terei conquistado, podem acreditar.

Num futuro próximo, espero, saberei o que realmente quero da vida.

Um dia me descobrirei.
Um dia evoluirei para um modelo mais avançado, de mim mesma.
Um dia eu vou conhecer o mundo inteiro, de cabo a rabo.
Um dia possuirei uma coluna em alguma revista ou jornal.
Um dia terei escrito um best seller.

Um dia, e apenas por um dia, nada irá me derrubar.
Um dia descobrirei como evitar que as pessoas te abandonem.


Um dia vou ter o amigo verdadeiro que eu sempre quis, aquele que largará tudo para ir ao meu encontro, que saberá o que estou sentindo somente pela minha voz ou olhar, aquele que me ajudará quando as coisas derem errado em vez de se mostrar superior. Aquele que será amigo dos meus pai, meu namorado, mas antes de tudo, meu amigo. Aquele que me verá casar, será padrinho dos meus filhos, e derrubará lagrimas quando eu vier a falecer.



Um dia eu vou casar.
Num outro, morrer.

E nesse dia talvez, eu descubra o porque de tudo.

O propósito de estarmos aqui, vivendo loucamente, levando patadas, batendo com a cara na parede, e se reerguendo depois. O porque de batalharmos a vida inteira por amor, casamento, filhos, dinheiro, trabalho, se no fim das contas, provavelmente nao estaremos aqui para usufruir do que conseguimos.

Porque a gente nunca valoriza o que tem. Pelo menos eu não.

Um dia eu vou descobrir se sonhos tornam-se realidade, se Deus realmente existe, e quem afinal de contas, matou Kurt Cobain.

Thursday, September 07, 2006

RELiEF.

Eu sempre achei que escrever bem era uma das minhas melhores qualidades, todos falavam de como eu conseguia expressar meus sentimentos/pensamentos com a escrita. Minha avó me elogiava,dizia ter orgulho de mim,minhas professoras de redação falavam que eu tinha grande potencial, era a sensação mais gratificante e verdadeira que eu pudia sentir.

Hoje, não vejo a situação como via antes.


Parece que a cada lado que olhe, alguém está lá: escrevendo, dando um show! E eu aqui, no conformismo de sempre,acreditando que tenho um dom magnífico, que não necessita de melhorias,nem de nada. Minha ilusão de que em alguma coisa eu era boa, foi por água abaixo, nem vontade de escrever tenho mais. Só quando estou muito triste e num impeto corro para o computador, na esperança que consiga tirar de mim tudo que me incomoda, machuca.

Pelo menos ainda tenho a escrita como uma válvula de escape. Sei que não irei longe, não publicarei livros ou escreverei para jornais e revistas, minha fase "wanna be Martha Medeiros" já passou, o sonho deu lugar para a realidade.


Já venho me sentindo assim faz pelo menos dois anos. Não sei porquê só agora fui desabafar.