Wednesday, May 27, 2009

Passei minha vida reclamando de Porto Alegre. Odiava o fato de ser uma província filha da puta, odiava a escassez de cultura, como eu costumava dizer. Mas há um tempo atrás eu conheci a verdadeira cidade que moro, cheia de contrastes urbanos, natureza por todos os lados, e bairros antigos com charme digno de uma cidade como Buenos Aires.
E hoje vejo o quão bitolada eu era, o quão deslumbrada com cidades cosmopolitas como São Paulo, ou ensolaradas e com praia como no Rio e até super organizadas como Curitiba, a ponto de odiar a cidade que me acolheu desde que nasci, que a cada dia que passa me surpreende como novas coisas, que cresce constantemente mas não perde o provincianismo, que tanto reclamava, e que agora simplesmente adoro.
Hoje caminhava pelas ruas e observava tudo com os mínimos detalhes, como o gari que me pediu dinheiro para tomar um cafezinho, ou um hippie louco que me deu uma flor de presente. Pensei nas milhares de vezes que caminhei pela cidade baixa, que durante o dia é uma coisa e durante a noite, outra totalmente diferente. Lembrei dos domingos que passei no parcão ao sol, ou das vezes que vi o pôr na beira de ipanema. As idas no buda da redenção, com direito até a pedidos, as tardes no jardim botânico, rodeada de natureza. E cara, não parou por aí, e se eu continuasse a descrever tudo que lembrei, não pararia tão cedo, então, deixa pra próxima.
Só sei que seja aonde for, como diria uma das personagens que mais gosto, "There's no place like home".

Wednesday, May 20, 2009

quando a chuva vem, eu simplesmente adoro. O cheiro que a acompanha, invade meu apartamento de forma inebriante, o tilintar dos pingos de água caindo na minha janela servem como canção de ninar. É como se São Pedro chorasse, e eu, como uma boa sentimentalista, choro junto. Mas não é um choro com pesar, é revigorante. O meu choro de dias de chuva geralmente serve pra limpar, tirar todas as energias ruins e depois, sorrir. Sorrir como uma criança abrindo presentes de natal, ou uma mãe que pega seu bebê pela primeira vez, um sorriso contagiante e sincero, capaz de iluminar a face mais carrancuda.
A chuva lava a cidade e a alma, dá oportunidade para recomeçar do zero, tira o peso do mundo das minhas costas. E o melhor de tudo, é que depois que a chuva vai embora, aparece o sol para aquecer os corações dos desolados, e iluminar o caminho.

Monday, May 18, 2009

Uma música pode te levar à qualquer lugar, te fazer sonhar e voar pela imensidão do universo. Uma boa música atiça a memória perdida e transborda o coração de sentimentos puros e inocentes. Os filmes funcionam da mesma forma. Te fazem rir, chorar, gritar de raiva. Te transportam à epocas passadas e ao futuro, recriam episódios históricos e criam mundos inusitados e ensinam lições de vida. Quando acontece a dobradinha, um bom filme com uma trilha sonora do caralho, o cinema atinge um novo nível, vide filmes como Quase Famosos e Alta Fidelidade.
E tem gente que não vê filmes e apenas escuta funk.

Tuesday, April 28, 2009

Bastava ela enxergá – lo pra sentir um fogo queimando em seu corpo. Quando os olhares se cruzavam na multidão, as pernas enfraqueciam, a respiração ofegava. Todas as noites ela sonhava com o guri misterioso, eles namorando, eles casando, e ele morrendo, bem velinho, ao seu lado, e sempre neste momento ela acordava apavorada, com um aperto no coração.
Como era possível sentir e pensar tanto em alguém que nunca conhecera? Que observava pelos últimos 3 anos e meio e nunca tivera coragem de se aproximar? Como poderia ser, que cada fibra em seu corpo desejavam o beijo, o toque, a companhia eterna, a ponto de tornar – se viciada naquela pessoa um tanto quanto desconhecida? O que acontecia ali, que era capaz de fazê – La perder a razão e o foco?
Quando o menino não aparecia na faculdade, era como um dia morto. Ela não falava com ninguém, não sorria, permanecia atônita. E quando ele aparecia, ela ficava radiante como os raios que irradiam no horizonte, quando o sol nasce, toda manhã. A presença dele no mesmo ambiente a fazia pensar em passar a mão pelos cabelos que pareciam tão sedosos, encostar de leve seus lábios nos lábios rosados dele, abraçá – lo tão forte, como se o mundo fosse acabar naquele momento. Mas nunca os pensamentos viravam ações.
As pessoas já começavam a notar, tarde demais para conseguirem impedir a obsessão, cedo demais para consolá – La quando o pior viesse a acontecer. E todos em volta dela estavam de mãos atadas. Ou quase.
Um dia, ou melhor, uma noite, os amigos da menina obcecada formaram um complô, decididos a terminarem com o chove não molha de tanto tempo. E conseguiram. O guri misterioso marchou em direção à menina, apresentou – se e abriu um sorriso. Que lindo sorriso, pensou a menina enquanto tentava situar – se no que estava acontecendo. Após um pouco de conversa praticamente unilateral, porque somente ele falava, enquanto ela apenas sorria envergonhada, o inesperado aconteceu! A menina teve seu corpo puxado para perto do dele, e na sequência, foi beijada com vontade, com paixão.
Após o primeiro beijo ele confessou que também a observava, e que ficava encantado com seus olhos brilhantes, seus cabelos lisos, e seu sorriso envergonhado. E admitiu querer beijá – La por muito tempo, mas lhe faltara coragem. E assim como o conto de fadas poderia ter acabado, com os dois felizes para sempre, ele acabou de um modo inesperado. O beijo foi sem graça, o cabelo dele era oleoso, e ele cheirava mal.
O conto de fadas acabou como pesadelo. Porque de tão envergonhada a ponto de não conseguir se declarar, ela também não conseguia rejeitar, levando a inúmeros beijos sem graça e uma vontade absurda de sair correndo.
Depois daquela noite, a menina aprendeu que quando se espera demais, quando se sonha demais, o resultado nunca é como o esperado, e as vezes, é melhor que os sonhos permaneçam apenas como sonhos, que nos movem e nos dominam. Porque uma das maiores qualidades do ser humano é a capacidade de sonhar.